Um espelho devolve uma imagem. O reconhecimento, porém, acontece deste lado do vidro.
É curioso: conhecemos nosso rosto também pelas respostas dos outros. Um olhar, um apelido, uma lembrança. Aos poucos, esses fragmentos entram naquilo que chamamos de eu.
Isso não significa que sejamos apenas o que os outros veem. Significa que a conversa entre a imagem que fazemos de nós e a imagem que recebemos nunca termina inteiramente.
Quando você diz ‘esse sou eu’, o que exatamente está reconhecendo?